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Análise de concorrência: mapear os players por CNAE e município

6 min de leitura

A maioria das análises de concorrência começa e termina no Google. Você pesquisa o serviço, anota os cinco primeiros resultados e conclui que aquele é o mercado. O problema é que o Google mostra quem investe em marketing, não quem existe. Numa boa parte dos setores brasileiros — especialmente os B2B e os de serviço técnico —, a maioria dos concorrentes não aparece na primeira página de nada.

A base pública de CNPJ resolve isso pela raiz. Ela lista todas as empresas registradas naquela atividade, naquela região, sem viés de quem paga anúncio.

Distribuição de concorrentes por município em uma mesma atividade econômica
Distribuição de concorrentes por município em uma mesma atividade econômica

O CNAE como recorte de mercado

O ponto de partida é traduzir "o meu mercado" em um conjunto de códigos CNAE. É a etapa que mais determina a qualidade do resultado, e a que mais gente faz mal.

Duas armadilhas simétricas:

Recorte estreito demais. Escolher só o CNAE que você usa deixa de fora concorrentes que fazem a mesma coisa registrados sob código próximo. Uma empresa de manutenção de máquinas pode estar sob "reparação e manutenção de máquinas", sob "instalação de máquinas e equipamentos" ou sob um CNAE de serviços de engenharia — e todas competem pelo mesmo contrato.

Recorte largo demais. Pegar a divisão inteira traz centenas de empresas que não competem com você em nada.

O método que funciona é indutivo: pegue cinco a dez concorrentes que você já conhece pelo nome, consulte o CNPJ de cada um e veja qual CNAE eles efetivamente usam. O conjunto que emerge dessa consulta é o seu recorte real — quase sempre diferente do que você teria escolhido no papel. Vale ler o guia sobre o que é CNAE e como consultar se ainda houver dúvida sobre a estrutura do código.

Não esqueça dos CNAEs secundários. Muita empresa compete num mercado que não é a sua atividade principal declarada.

Montando o levantamento

Com os códigos definidos, o levantamento combina três filtros:

Atividade — o conjunto de CNAEs, principal e secundários.

Geografia — município, conjunto de municípios ou UF, conforme o alcance real do seu negócio. Serviço presencial raramente ultrapassa a região metropolitana; software vende para o país inteiro.

Situação cadastral — apenas ativas, se o objetivo é mapear concorrência atual. Para análise histórica, as baixadas importam, e muito.

A busca avançada permite combinar esses três critérios e exportar o resultado. O que você recebe é o universo de empresas registradas naquela atividade e região — o denominador que faltava.

O que a contagem já diz

Antes de qualquer análise sofisticada, o número bruto informa bastante.

Densidade absoluta. Quantas empresas existem naquele CNAE naquele município. Um número alto indica mercado maduro, provavelmente competido por preço. Um número muito baixo pode significar oportunidade — ou que não existe demanda ali, o que é uma distinção crítica e que a contagem sozinha não resolve.

Densidade relativa à população. Vinte concorrentes numa cidade de 50 mil habitantes é saturação; vinte numa capital é mercado aberto. Dividir a contagem pela população do município é o ajuste mínimo para comparar praças diferentes.

Comparação entre municípios. Rodar a mesma consulta em várias cidades e ordenar por densidade revela onde há espaço. É a análise mais acionável do conjunto, e a mais simples de produzir.

A dimensão temporal, que quase ninguém usa

Aqui está o diferencial de usar dados de CNPJ em vez de uma lista qualquer: cada empresa tem data de abertura e, quando encerrada, data de baixa. Isso transforma uma foto num filme.

Aberturas por ano. Agrupando os concorrentes pelo ano de abertura, você vê o ritmo de entrada no mercado. Uma curva crescente indica setor em expansão, atraindo entrantes. Uma curva que despencou nos últimos anos indica mercado que parou de parecer atrativo.

Baixas por ano. O mesmo exercício com as encerradas mostra a mortalidade do setor naquela região. Muitas aberturas somadas a muitas baixas descrevem um mercado de alta rotatividade — fácil de entrar, difícil de sobreviver.

Idade média dos ativos. Um setor onde a maioria das empresas ativas tem mais de dez anos tem barreiras de entrada e relacionamentos consolidados. Um setor onde a maioria tem menos de três anos é volátil e disputável.

Saldo líquido. Aberturas menos baixas, ano a ano. É o indicador mais direto de mercado em crescimento ou em contração, e ele é calculável só com dados públicos.

Vale ver também como essa leitura aparece no guia sobre aberturas de empresas por mês, que trata da mesma mecânica no recorte temporal.

Qualificando os concorrentes

Com a lista em mãos, a etapa seguinte é separar quem importa de quem apenas existe. Os dados públicos permitem uma primeira triagem:

Estrutura. Quantos estabelecimentos cada concorrente tem? Uma empresa com doze filiais opera em outra liga que uma com endereço único. Contar os CNPJs que compartilham a mesma raiz é a forma direta de medir isso.

Porte e capital social. Dão a primeira noção de escala.

Tempo de mercado. Concorrente com vinte anos tem carteira consolidada; recém-chegado tem que conquistar tudo.

Amplitude de atividade. Concorrentes com muitos CNAEs secundários são generalistas; com poucos, especialistas. Isso muda a estratégia de posicionamento contra cada um.

Distribuição geográfica. Onde estão os endereços. Concentração numa região da cidade indica onde está a demanda — ou onde está o custo mais baixo de operação.

O que os dados públicos não dão: faturamento, número de funcionários, carteira de clientes, preço praticado e participação de mercado. Essas informações vêm de pesquisa de campo, conversa com clientes, análise dos sites dos concorrentes e, quando existe, de dados setoriais de associações.

Um erro que distorce toda a análise

Contar estabelecimentos como se fossem empresas infla artificialmente a concorrência percebida.

Se uma rede tem oitenta unidades naquele município, ela aparece como oitenta CNPJs. Você conclui que há duzentos concorrentes quando na verdade há cento e vinte e uma empresas — cento e vinte independentes e uma rede.

A correção é simples: agrupe pela raiz de oito dígitos antes de contar. E depois olhe as duas métricas separadamente, porque elas respondem a perguntas diferentes: número de empresas mede quantos competidores existem; número de estabelecimentos mede quantos pontos de venda disputam o consumidor na rua.

Um roteiro enxuto

  1. Liste concorrentes conhecidos e extraia deles o conjunto real de CNAEs.
  2. Levante todas as empresas ativas com esses CNAEs no seu recorte geográfico.
  3. Agrupe pela raiz para separar empresas de estabelecimentos.
  4. Calcule densidade absoluta e por habitante, e compare com municípios vizinhos.
  5. Monte a série de aberturas e baixas por ano e calcule o saldo.
  6. Ordene os concorrentes por número de estabelecimentos e tempo de mercado.
  7. Aprofunde manualmente os dez a vinte mais relevantes — site, posicionamento, preço, clientes visíveis.

O passo 7 é o único que exige trabalho manual, e ele fica muito mais barato quando os seis anteriores já disseram em quem vale gastar esse tempo.

Perguntas frequentes

Como descobrir quem são meus concorrentes?

Filtrando a base pública de CNPJ pelo conjunto de CNAEs da sua atividade e pelo seu recorte geográfico, considerando apenas empresas ativas. O resultado é o universo registrado, sem o viés de quem investe em marketing digital.

Como escolher os CNAEs certos para o levantamento?

Consulte o CNPJ de concorrentes que você já conhece e veja quais códigos eles usam de fato. Esse conjunto costuma ser diferente — e melhor — do que se escolheria olhando só a tabela de CNAEs.

Dá para saber o faturamento dos concorrentes?

Não pelos dados públicos. Eles trazem porte declarado e capital social como indicadores indiretos, mas faturamento efetivo não é publicado.

Como medir se um mercado está saturado?

Combine densidade por habitante, comparação com municípios semelhantes e a série temporal de aberturas e baixas. Um mercado com muitas aberturas e muitas baixas simultâneas indica alta rotatividade, não necessariamente saturação.

Devo contar filiais como concorrentes separados?

Depende da pergunta. Para contar competidores, agrupe pela raiz do CNPJ. Para medir pontos de venda disputando o consumidor, conte estabelecimentos. Reportar as duas métricas separadas evita conclusões erradas.

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